Ação residual de agrotóxicos pulverizados em plantas de milho sobre Trichogramma pretiosum

Rafael Antonio Pasini, Anderson Dionei Grützmacher, Daniel Spagnol, Franciele Da Silva De Armas, Andréia Vös Normberg, Helbert Júnior da Silva Carvalho

Resumo


Objetivou-se, com este trabalho, avaliar a ação residual de nove inseticidas e de um fungicida-acaricida sobre o
parasitoide Trichogramma pretiosum (Riley, 1879), em condições de semicampo, sob telado. Plantas de milho foram
pulverizadas com os agrotóxicos até o ponto de escorrimento, três dias antes da montagem dos ensaios. Ovos de
Anagasta kuehniella (Zeller, 1879) foram ofertados, em cartelas de cartolina azul, individualizadas no interior de
gaiolas. Os adultos recém-emergidos de T. pretiosum foram liberados na proporção de 1,6 fêmeas por ovo do hospedeiro
alternativo. As liberações de T. pretiosum foram realizadas aos 3, 10, 17, 24 e 31 dias após a pulverização das plantas.
Os agrotóxicos foram classificados quanto a sua persistência, seguindo-se a escala proposta pela IOBC. Os resultados
mostraram que os produtos comerciais-ingredientes ativos (kg ou L ha-1) usados na cultura do milho, beta-ciflutrina
(0,10), cipermetrina (0,08), clorpirifós (1,00), lambda-cialotrina 50 (0,15), enxofre (1,00), metomil (0,60) e tiodicarbe (0,15)
foram moderadamente persistentes (classe 3) (16-30 dias de ação nociva) e lambda-cialotrina 250 (0,10), espinosade
(0,10) e lambda-cialotrina + tiametoxam (0,25), foram persistentes (classe 4) (> 31 dias de ação nociva sobre T. pretiosum).


Palavras-chave


controle biológico, controle químico, parasitoide de ovos, persistência biológica, Zea mays.

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