Sensibilidade diferencial ao herbicida glyphosate e capacidade de rebrota de populações de capim-amargoso

Isadora Fernandes Canedo, Lucas da Silva Araújo, Luis Gustavo Barroso Silva, Mateus de Souza Valente, Marco Antonio Moreira de Freitas, Paulo César Ribeiro da Cunha

Resumo


Dentre as plantas daninhas comprovadas resistentes ao glyphosate, destaca-se a espécie Digitaria insularis. Nesse sentido, este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de demonstrar que a sensibilidade diferencial de diferentes populações de D. insularis ao glyphosate é consequência do histórico de controle químico adotado nas áreas agrícolas. Em sete populações foram analisadas a eficiência no controle e capacidade de rebrota do capim-amargoso ao glyphosate. O delineamento experimental foi inteiramente ao acaso em esquema fatorial 7 x 10, com quatro repetições. O fator principal foi composto por sete populações de diferentes localidades do sudeste goiano e o fator secundário testou dez doses de glyphosate (0, 0,11, 0,21, 0,42, 0,84, 1,68, 3,36, 6,72, 13,44 e 26,88 kg e.a. ha-1). O capim-amargoso apresentou sensibilidade diferencial ao glyphosate, relacionado ao histórico de controle químico das áreas agrícolas. As populações 1, 2, 4, 6 e 7 oriundas das áreas onde se recomenda há pelo menos cinco safras, glyphosate associado com os herbicidas inibidores da ACCase, ainda foram eficientemente controladas pelo glyphosate, exigindo doses inferiores a 1,68 kg e.a. ha-1 para 80% de controle (ED80) ou redução da matéria seca da parte aérea (GR80). Para as populações 3 e 5, consideradas as menos sensíveis ao glyphosate, os parâmetros ED80 ou GR80 foram obtidos apenas com doses superiores a 1,68 kg e.a. ha-1. A análise discriminante confirmou a resposta diferencial ao glyphosate com formação de três grupos baseado na sensibilidade ao herbicida. As populações menos sensíveis ao glyphosate apresentaram maior capacidade de rebrota das plantas.

Palavras-chave


Controle químico, Digitaria insularis, dose-resposta, resistência.

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